CÂMARA MUNICIPAL DE INDIARA REALIZA SESSÃO SOLENE DE ESCUTA ATIVA VOLTADA ÀS FAMÍLIAS ATÍPICAS


A Câmara Municipal de Indiara promoveu, no Plenário Carlos Gomes Dantas, uma Sessão Solene de Escuta Ativa dedicada às famílias atípicas do município e do distrito de Carlândia. Com o tema “Dar voz, compreender necessidades e construir soluções reais”, o encontro teve como foco principal proporcionar um espaço institucional e transparente de diálogo, permitindo que mães atípicas apresentassem suas demandas e reivindicações diretamente aos representantes do Poder Legislativo e Executivo local.

A sessão foi estruturada a partir da organização do presidente da Casa, vereador Dr. Hélio Júnior, e da vereadora Profª Luciana, contando também com a participação ativa dos vereadores Janisley Ferreira e Silvano Reis. Com o intuito de garantir um debate técnico e resolutivo perante os desafios da inclusão, o evento reuniu gestores e especialistas, incluindo a primeira-dama do município e secretaria de assistencia social, Raniery Barbosa; a secretária municipal de Saúde, Aline Franco; a presidente da APAE, Malba Glenda; e a coordenadora do Atendimento Educacional Especializado (AEE), Lucinéia.

O suporte técnico e clínico do encontro foi reforçado pela presença da neuropsicóloga Letícia Ferreira e da neuropsicopedagoga Aline Mendes, que acompanharam os relatos das famílias para auxiliar na compreensão técnica das necessidades apresentadas.

Palestra e diálogo direto com o poder público

Durante a solenidade, a programação contou com uma palestra ministrada pela psicopedagoga Liza Lima. A especialista desconstruiu a visão romantizada da “mãe guerreira”, ressaltando que mães atípicas são, na verdade, mulheres severamente sobrecarregadas emocional, física e financeiramente, que necessitam de uma rede de apoio estruturada, respeito e escuta. Ela comparou o nível de estresse dessas mães ao de soldados em combate, com o agravante de que não possuem hora para sair do campo de batalha, vivendo em constante estado de alerta e enfrentando julgamentos diários da sociedade. Diante desse cenário de exaustão, Liza encorajou as famílias a abandonarem o “rótulo de vítimas” atrelado aos diagnósticos, incentivando-as a assumirem o protagonismo da mudança a partir de pequenas atitudes dentro de seus próprios lares.

Com um viés técnico e prático, a especialista orientou as famílias sobre a importância de estimular o desenvolvimento motor e cognitivo das crianças atípicas utilizando recursos simples e acessíveis do dia a dia, como caixas de papelão e elementos da natureza, sem dependerem exclusivamente das terapias ou das intervenções do poder público. Ela defendeu veementemente a necessidade de se estabelecer rotinas visuais previsíveis, manter o ambiente doméstico organizado para evitar a desregulação das crianças e, acima de tudo, impor limites firmes e claros. Segundo Liza, a aplicação consistente desse “básico” no ambiente familiar é o verdadeiro alicerce para o desenvolvimento funcional da criança e para tornar o fardo diário da maternidade atípica mais leve.

O marco da sessão, consolidando a proposta de escuta ativa, foi a abertura do espaço de fala para a comunidade. Diversas mães presentes utilizaram a oportunidade para relatar os desafios cotidianos enfrentados em Indiara e Carlândia, formulando pedidos e reivindicações estruturais direcionados aos órgãos públicos presentes. A iniciativa garantiu que os secretários municipais e os vereadores recebessem as demandas de forma direta, estabelecendo uma base de informações concretas para o desenvolvimento e aprimoramento de políticas públicas voltadas à acessibilidade, saúde e educação inclusiva no município.

“Mães atípicas não são heroínas, elas são mulheres que precisam de rede, respeito e suporte. A mudança que eu quero ela tem que começar em mim e depois vai ser através de mim. Adaptações simples em casa geram grandes resultados. Enxergar a beleza de ser mãe atípica também é enxergar a beleza e a magia na diversidade e compreender que é aí que mora a grandeza da vida.”

“A gente precisa escutá-los para poder levantar cada vez a bandeira e levar ela mais longe. A política só vai mudar quando a gente deixar a vaidade de lado e passar a pensar nas pessoas como a gente tem feito aqui agora.”

“Os nossos espaços públicos precisam ser de todos nós, e só vai atender a todos quando tiver locais específicos atendendo às necessidades específicas. Nós sonhamos com uma realidade mais inclusiva para todos.”

Às vezes a gente acha que está indo por um caminho correto e, quando a gente ouve realmente quem precisa ser ouvido, percebe que precisa ajustar. Quero aqui reforçar o compromisso de toda a gestão com esse olhar humanizado pelas mães atípicas.”

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